Madragoa
O bairro da Madragoa está localizado próximo do bairro nobre da Lapa, do bairro de design de Santos, do bairro histórico e industrial de Alcântara e do movimentado e político bairro de São Bento. O bairro da Madragoa tem por limites a norte a rua da Lapa, a rua do Quelhas e a rua das Francesinhas, a sul a rua das Janelas Verdes, a Calçada Ribeiro dos Santos, o Largo de Santos e o Largo de Vitorino Damásio (antiga praia de Santos), a poente a rua de São Domingos à Lapa e a nascente a avenida Dom Carlos I.
História de Madragoa
O nome Madragoa teve origem na presença de um convento de freiras bernardas que existia na antiga rua das Madres de Goa, atual rua Vicente Borga. O bairro da Madragoa foi ocupado desde o período romano, mas só a partir de 1501 é que começou a crescer com o estabelecimento do Paço Real pelo Rei Dom Manuel I (1495-1521). O bairro da Madragoa ficou conhecido como sendo o bairro africano e o bairro das varinas. O bairro africano do Mocambo, que significa local de refúgio no dialeto africano umbundo, surgiu em 1593. O bairro do Mocambo tinha um traçado ortogonal com ruas paralelas junto ao rio Tejo e era o local onde moravam os negros que trabalhavam nas casas das famílias portuguesas, nos fornos ou nas olarias. O bairro do Mocambo foi sendo substituído pelo bairro das Varinas até restar a Travessa do Mocambo, atual rua das Trinas, onde se encontrava o Convento das Trinas do Mocambo - atual Instituto Hidrográfico. O último grande acontecimento do bairro do Mocambo foi a vinda da rainha do Congo em 1880 para prestar vassalagem ao Rei Dom Carlos I (1863-1908). Nesta altura ficaram famosas as festas africanas da corte do Congo.
O bairro da Madragoa está englobado na freguesia da Estrela, que engloba O bairro da Estrela | O bairro da Lapa | O bairro da Santos-O-Velho | O bairro da Madragoa | O bairro de São Bento.
Atrações a visitar no bairro da Madragoa
- Museu das Marionetas ![(38.708165, -9.155819)]: localizado no antigo Convento das Bernardas foi o primeiro museu português dedicado à marioneta. O Museu das Marionetas foi inaugurado em 1987 pela Companhia de Marionetas de São Lourenço. O antigo Convento das Bernardas foi fundado em 1654 e praticamente todo destruído durante o Terramoto de 1 de Novembro de 1755, posteriormente foi reconstruído pelo arquiteto Giacomo Azzolini e reocupado entre 1786 e 1850. Foi comprado em 1850 por Joaquim Lopes da Câmara que o transformou num colégio. A Câmara Municipal de Lisboa comprou o convento em 1998 e instalou o atual Museu das Marionetas. Os principais pontos de interesse do Museu das Marionetas são:
- Exposição Permanente: com uma coleção de marionetas de Portugal, Europa, África, Brasil e México;
- Coleção de Francisco Capelo: com uma grande coleção de marionetas do Sudeste Asiático e África;
- Coleção de Máscaras: o destaque são as máscaras da Grécia Antiga, Indonésia, Sri Lanka, Tailândia e Japão;
- Centro Educativo: integra percursos para famílias, espetáculos de marionetas, o Projeto Integrar - Necessidades Educativas Especiais e workshops de formação.
- Chafariz da Esperança ![(38.708936, -9.153242)] localizado no Largo da Esperança, é um dos trinta chafarizes ligados ao Aqueduto das Águas Livres. O Chafariz da Esperança foi inaugurado em 1768 e projetado por Carlos Mardel e Miguel Blasco. O principal destaque é o pórtico pombalino.
- Palácio do Machadinho ![(38.709407, -9.155613)]: é um edifício do século XVIII localizado na rua do Machadinho. O Palácio de José Machado Pinto foi construído no local de uma casa que pertencia a Dom Duarte d’Eça, descendente de militares que tinham combatido na Índia. O Palácio do Machadinho passou a ser um dos mais importantes da arquitetura pombalina em Lisboa. O último membro da família de José Machado Pinto foi Dona Maria Benedita de Sousa Teixeira Vahia Machado, que vendeu o palácio em 1831. O palácio desempenhou várias funções partir deste ano, nomeadamente de moradia do Embaixador de Espanha em 1837, residência de António Feliciano Castilho, que fundou o Colégio do Pórtico. Desde 1948 tem sido Direção Municipal de Abastecimento e Consumo da Câmara Municipal de Lisboa. ![(38.708311, -9.138501)]
- Vila Dorothea ![(38.709442, -9.157550)] é uma antiga vila de operários localizada na rua das Trinas, com destaque para os vários becos e pátios. Próximo da Vila Doroteia ou Dorothea existem oito pátios.
- Colégio das Escravas do Sagrado Coração de Jesus ![(38.707952, -9.159975)]: colégio integrado num palácio localizado na rua de São Félix. O principal destaque do Colégio das Escravas do Sagrado Coração de Jesus é a capela.
- Taberna Varina da Madragoa ![(38.708939, -9.154353)]: é um restaurante localizado na rua das Madres. Destaca-se pela gastronomia tradicional e pela decoração típica de uma taberna antiga de Lisboa.
- Lavadouro Municipal ![(38.709708, -9.154379)]: é lavadouro localizado na rua das Francesinhas. O Lavadouro Municipal foi inaugurado em 1876 num terreno do Convento das Francesinhas oferecido às varinas da Madragoa pela Rainha Dona Maria Pia (1847-1911). O Lavadouro das Francesinhas constituiu uma importante fonte de trabalho e rendimento para a população do bairro. É um dos poucos lavadouros de Lisboa que ainda se encontra em atividade com três lavadeiras.
- Esperança Atlético Clube ![(38.707978, -9.155609)]: clube localizado na rua da Esperança e responsável pela organização de várias atividades culturais, nomeadamente a Festa de São Martinho e pela participação da Marcha da Madragoa nas Festas Populares de Lisboa. O Esperança Atlético Clube foi fundado no dia 16 de Agosto de 1936.
- Convento das Trinas do Mocambo ![(38.708771, -9.157227)]: é um convento utilizado como sede do Instituto Hidrográfico desde 1969, localizado na rua das Trinas. O Convento das Trinas do Mocambo foi fundado em 1657 como homenagem a Nossa Senhora da Soledad e doado à Ordem da Santíssima Trindade, foi encerrado em 1910 e o interior pilhado. Os principais destaques são:
- Relevo de Nossa Senhora da Piedade na porta do corpo da igreja
- Painéis de azulejos no antigo refeitório do convento
- Casa de Gago Coutinho ![(38.707767, -9.156149)]: foi uma das casas onde o Almirante Gago Coutinho habitou em Lisboa, localizada no número 164 da rua da Esperança.
Outras atrações a explorar no bairro da Madragoa
- Madragoa Café: é um restaurante localizado na rua da Esperança, destaca-se pelo ambiente descontraído, cosmopolita e pela gastronomia, nomeadamente o Bacalhau da Madragoa;
- A Travessa ![(38.708176, -9.156280)]: restaurante localizado na Travessa do Convento das Bernardas, destaca-se pela mistura da gastronomia belga com a portuguesa;
- Il Covo ![(38.707567, -9.157455)]: restarante italiano localizado na rua do Cura;
- Osteria ![(38.708733, -9.154752)]: restaurante localizado na rua das Madres destaca-se pela comida de origem siciliana cozinhada por Chiara Ferro;
- Galeria Madragoa ![(38.708828, -9.156044)]: galeria de arte localizada na rua do Machadinho destaca-se pelas exposições de arte de artistas portugueses e estrangeiros desde 2016, nomeadamente Luís Lázaro Matos (Portugal), Renato Leotta (Itália), Joanna Piotrowska (Polónia).
História dos moradores do bairro da Madragoa
A população do bairro da Madragoa começou a mudar a partir do século XVIII com o aparecimento de pescadores que migravam de Aveiro, Ovar, Esgueira e Murtosa. Esta migração ocorreu devido à obstrução da barra do porto de Aveiro com areia após a cheia que ocorreu na região durante o século XVIII. A partir deste século a migração dos pescadores e famílias de Aveiro para Lisboa aumentou e os novos residentes passaram a ser conhecidos em Lisboa como ovarinos e ovarinas, que posteriormente derivaram para "varinos" e "varinas". O nome varino significa originário de Ovar. O bairro da Madragoa passou a ser uma zona diferente na cidade devido à presença das varinas, que cantavam pregões a vender o peixe, eram aguerridas, genuínas, andavam de pé descalço, canastra na cabeça e trabalhavam na rua, o contrário das mulheres da sociedade lisboeta. As varinas, extintas na segunda metade do século XX, tornaram-se num símbolo de Lisboa e começaram a chamar a atenção de artistas portugueses, nomeadamente Almada Negreiros (1893-1970), que as retratou num cartaz das Festas Populares de Lisboa de 1934.
Madragoa e o Fado lisboeta
O bairro da Madragoa teve um papel essencial na história do fado em Lisboa e em Portugal. No dia 12 de Setembro de 1820 foi batizada Maria Severa Onofriana, a primeira artista de fado, na Paróquia dos Anjos. Maria Severa Onofriana viveu grande parte da sua infância e adolescência na rua da Madragoa, atual rua Vicente Borga, onde a mãe era proprietária de três tabernas. Severa, como ficou conhecida Maria Severa Onofriana, foi amante do Conde de Vimioso, que frequentava as tavernas da Madragoa. Esta aproximação levou ao aumento do número de pessoas que se passaram a interessar pelo fado e à realização de espetáculos junto da Corte do Rei e da Rainha de Portugal. O fado começou a desenvolver e a alastrar para outros bairros lisboetas, nomeadamente Alfama, Mouraria, Graça ou o Bairro Alto, e, a outras cidades do país, especificamente Coimbra e Porto. Severa foi a primeira grande artista e impulsionadora do fado em Portugal.
Ruas do bairro da Madragoa
O bairro da Madragoa tem como principais artérias
- rua da Esperança ![(38.708296, -9.154726)];
- rua das Francesinhas ![(38.710864, -9.154731)];
- Travessa do Pasteleiro ![(38.709186, -9.154068)];
- Travessa das Isabéis ![(38.708583, -9.155481)];
- Travessa do Convento das Bernardas ![(38.708218, -9.156277)];
- rua Vicente Borga ![(38.708692, -9.155603)];
- rua do Machadinho ![(38.708923, -9.155833)];
- rua das Madres![(38.708568, -9.155064)];
- rua de São Félix ![(38.708566, -9.160725)];
- Calçada do Castelo Picão ![(38.708671, -9.156193)]: destaca-se pela vista panorâmica sobre o rio Tejo. O bairro da Madragoa é um bairro de casas simples, à semelhança de outros bairros populares como Alfama e Mouraria, com decorações ao ar livre que refletem as tradições do bairro, ruas estreitas, labirínticas e um tecido urbano anterior ao século XVIII devido ter sido pouco afetado pelo Terramoto de 1755. A população atual do bairro da Madragoa é um misto entre idosos descendentes das varinas, jovens casais com filhos e residentes estrangeiros que procuram zonas tradicionais para morar em Portugal. O Elétrico 25 é um meio de transporte muito utilizado na Madragoa, com a ligação entre o Cais do Sodré ![(38.706083, -9.144653)], o bairro de Santos e o bairro da Madragoa.
Curiosidades do bairro da Madragoa
- Bairro conhecido pelas tascas e pelas fachadas dos prédios revestidos com azulejos;
- Existe uma rua da Madragoa na cidade de Ovar como homenagem às varinas;
- O bairro da Madragoa é conhecido por ter sido o local onde residiam os africanos e as varinas em Lisboa;
- Madragoa era um bairro rodeado por Igrejas e Conventos;
- O bairro da Madragoa participa todos os anos nas Festas Populares de Lisboa em Junho com a Marcha da Madragoa;
- O almirante Gago Coutinho residiu na Madragoa;
- Maria Severa Onofriana, a primeira fadista de Portugal, viveu parte da infância e adolescência na Madragoa;
- O Vendedores de Jornais Futebol Clube da Madragoa foi a única coletividade lisboeta a vencer a Taça da Rainha das Marchas nos concursos das marchas de 1964, 1965 e 1966;
- O fadista Manuel Calixto (1910-1979) nasceu e viveu na Madragoa;
- A canção Rosa da Madragoa foi cantada por vários fadistas, nomeadamente Amália Rodrigues, Mariza e Raquel Tavares.
Factos rápidos sobre o bairro da Madragoa
- O bairro da Madragoa integra a Junta de Freguesia da Estrela
- As principais atividades económicas do bairro da Madragoa são a restauração e o turismo
