Santos-o-Velho, Lisboa

Santos-o-Velho

Santos-O-Velho, um bairro do design no litoral de Lisboa

O bairro de Santos-O-Velho está englobado na freguesia da Estrela, que engloba O bairro da Estrela | O bairro da Lapa | O bairro de Santos-O-Velho | O bairro da Madragoa | O bairro de São Bento.

O bairro de Santos-o-Velho é uma antiga zona industrial de Lisboa com um crescimento acentuado a partir de 2005 devido à criação do Santos Design District, desenvolvido através da Associação Empresarial do Bairro de Santos com o objetivo de requalificar e dinamizar o bairro. O Santos Design District inclui escolas, museus, ateliers de arquitetura, galerias de arte, restaurantes, museus e lojas de comércio local. O bairro de Santos-o-Velho consegue atrair as mais variadas culturas e idades, nomeadamente população jovem e universitária durante o dia, os estudantes que frequentam a vida noturna e os próprios moradores devido à renovação urbanística. O bairro de Santos-o-Velho é muito procurado por artistas, designers, arquitetos, população nova e de classe média devido à modernização da infra-estrutura de apoio à população, nomeadamente creche e escola. O bairro de Santos-o-Velho integra uma mistura de edifícios antigos, nomeadamente o Palácio de Santos, e edifícios modernos, nomeadamente o edifício "Santos Design".
O bairro de Santos-O-Velho fica localizado junto ao rio Tejo e próximo dos bairros de Alcântara, Estrela, Lapa, Bairro Alto, Santa Catarina, Madragoa e Cais do Sodré. Conhecido como "Santos", o bairro de Santos-o-Velho é uma zona charmosa de Lisboa, conhecido pelas lojas de design, pela vida noturna e vida cultural. O bairro de Santos-o-Velho fica próximo do Mercado da Ribeira, um local de referência de Lisboa devido à diversidade de oferta alimentar que proporciona desde 2014.

Ruas e Praças de Santos-o-Velho

No bairro de Santos-o-Velho destacam-se várias artérias, nomeadamente a rua das Janelas Verdes, o Largo de Santos, a Avenida 24 de Julho, Santo Amaro e a Calçada do Marquês de Abrantes.

  • Rua das Janelas verdes, com as atrações do Museu Nacional de Arte Antiga, o Palácio dos Condes de Murça, o Convento dos Marianos e o Jardim da Rocha do Conde de Óbidos;
  • O Largo de Santos, assim chamado em memória dos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia, faz a ligação entre a Avenida 24 de Julho, o bairro da Lapa e o bairro de São Bento;
  • A Avenida 24 de Julho foi palco da Batalha de 24 de Julho de 1833 em que o Duque da Terceira derrotou as forças absolutistas. Atualmente a Avenida 24 de Julho é conhecida por ser uma zona de diversão noturna com a presença de bares e discotecas, nomeadamente o Plateau ou o Kremlin, e o espaço de restaurantes Mercado da Ribeira;
  • Santo Amaro destaca-se pelo Miradouro de Santo Amaro, pela Marina de Santo Amaro e pelas Docas de Santo Amaro, um dos locais de diversão noturna mais frequentados de Lisboa;
  • A Calçada do Marquês de Abrantes, com destaque para o Palácio dos Marqueses de Abrantes.

Atrações a vistar em Santos-O-Velho (top 10)

  1. Museu Nacional de Arte Antiga: localizado na rua das Janelas Verdes, o museu encontra-se integrado no antigo Convento das Carmelitas Descalças de Santo Alberto ou das Albertas, inaugurado em 1584 e o Palácio do Alvor, o edifício que se encontra ao lado, inaugurado em 1690. O edifício do museu desempenhou várias funções ao longo da história, nomeadamente as de residência do embaixador alemão e de um cônsul holandês, e foi uma das propriedades do Marquês de Pombal depois de 1775. O edifício do Museu Nacional de Arte Antiga foi arrendado pelo Estado português em 1882 para expôr a Exposição de Arte Ornamental e, foi comprado em 1885 para inaugurar o Museu de Arte Antiga. No ano de 1911 passou a chamar-se Museu Nacional de Arte Antiga. O Museu Nacional de Arte Antiga integra uma exposição de aproximadamente 80 mil peças. Os principais pontos de interesse são:
    • Painéis de São Vicente: da autoria de Nuno Gonçalves (1450-1491), representam 58 personagens em seis pinturas e representam a Corte e várias figuras da sociedade da época. Os seis Painéis de São Vicente são: Painel dos Frades, Painel dos Pescadores, Painel do Infante, Painel do Arcebispo, Painel dos Cavaleiros e Painel da Relíquia;
    • Cruz de Dom Sancho I: foi criada por ordem de testamento do Dom Sancho I, e considerada uma obra moderna para a época devido à perfeição do desenho e à variedade de pedras preciosas, nomeadamente ouro, safiras, granadas e pérolas. A Cruz de Dom Sancho foi criada com o objetivo de ser albergada na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, onde se encontra o túmulo de Dom Sancho I e a campa de Dom Afonso Henriques. A Cruz de Dom Sancho é a primeira peça com registo de Calendário Gregoriano datada de 1214;
    • Retábulo de Santo Agostinho: é parte de um retábulo espalhado por vários museus, da autoria de Piero della Francesca;
    • Custódia de Belém: é a obra de ourivesaria mais famosa de Portugal. A Custódia de Belém foi criada a mando de Dom Manuel I para o Mosteiro de Santa Maria de Belém (Jerónimos) com o ouro da atual Tanzânia como sinal de vassalagem a Portugal. Atribui-se a autoria a Gil Vicente, apesar de não se ter a certeza;
    • Biombos Namban (Japão): são datados dos finais do século XVI e inícios do século XVII e representam a forma como os japoneses viam os comerciantes, os marinheiros e os missionários portugueses que tinham acabado de chegar ao Japão;
    • Capela das Albertas: é o único vestígio do Convento do século XVI. A Capela das Albertas destaca-se pelos 11 painéis de azulejos com cenas da vida de Cristo e de Santa Teresa de Ávila;
    • Biblioteca do Museu Nacional de Arte Antiga: integra aproximadamente 30 mil obras nas áreas da História da Arte.
  2. Palácio de Santos: localizado na rua de Santos-o-Velho, é o edifício onde se encontra a atual Embaixada de França. O Palácio de Santos, também conhecido por Palácio dos Marqueses de Abrantes, foi igreja e convento da Ordem de Santiago e Espada até 1497, ano em que passou a ser residência das viúvas dos cavaleiros da Ordem de Santiago. O Rei Dom Manuel I (1469-1521) comprou o palácio em 1497, porteiromente o Palácio de Santos testemunhou a apresentação de várias peças de teatro de Gil Vicente (1465-1536) em 1510, a partida de Dom Sebastião (1554-1578) para Alcácer-Quibir em Marrocos no dia 25 de Julho de 1578. Os Lancastre compraram o Palácio de Santos em 1629, e foi renovado pelo arquiteto João Antunes (1642-1712). O Palácio foi alugado em 1870 ao Conde Armand, Ministro de França em Lisboa. O Governo Francês comprou o Palácio de Santos em 1909. A Embaixada de França estabeleceu-se no Palácio em 1948. Os principais pontos de interesse são:
    • Capela: com destaque para as pinturas dos três mártires Máximo, Veríssimo e Júlia da autoria de Marcos da Cruz (1610-1683), as pinturas do altar, autoria de Amaro de Vale, os dois tetos em pirâmide que representam a vida de Cristo e da Virgem, da autoria de Marcos da Cruz, o Anjo do Silêncio em painéis de azulejos, em referência a Gil Vicente e à Ordem de Santiago e Espada;
    • Vestíbulo: com destaque para a tapeçaria de 1689 da Manufatura dos Gobellins e a pintura que se encontra no teto, onde é possível observar a dívida dos Lencastre: Pela Lei e Pela Grei e um grande número de aves;
    • Sala das Porcelanas: onde existem 261 peças de porcelanas da Dinastia Ming da China a decorar o teto da sala e a mesa com um espelho que reflete as porcelanas que se encontram no teto;
    • Sala da Música: destaca-se por um cravo e um piano, e as pinturas do teto que retratam as quatro estações do ano e os quatro continentes
    • Salão Grande: destaca-se a tapeçaria dos Gobellins a retratar a chegada do exército francês a Dunquerque, o retrato de Luís XV (1710-1774), a pintura do Conde de Artois (1757-1837) e um pequeno busto de Molière (1622-1673)
    • Mesa de Mármore: foi nesta mesa, de acordo com a lenda, que o Rei Dom Sebastião (1554-1578) teve a última refeição antes de partir para a Batalha de Alcácer Quibir em Marrocos em 1578;
    • Fachada Principal: destaca-se pela grande quantidade janelas e pelo brasão de armas dos Lancastre situado no topo da porta principal;
    • Estátua de Mercúrio: localizada no topo da uma escadaria é uma cópia de um original do Museu do Louvre em Paris.
  3. Igreja de Santos-o-Velho: foi construído um primeiro templo no século IV d.C. em memória dos mártires Veríssimo, Máximo e Júlia. A igreja foi posteriormente destruída durante a invasão muçulmana no século VII. Dom Afonso Henriques reconstruiu a igreja e doou-a à Ordem de Santiago e Espada. A Igreja de Santos-o-Velho foi restaurada entre 1876 e 1889. Os principais destaques são os Azulejos do batistério datados do século XVIII; o Relevo a representar os mártires Veríssimo, Máximo e Júlia; os 72 painéis pintados e dourados; a Capela de Nossa Senhora da Conceição; a Capela do Santíssimo Sacramento; e o Altar-Mor.
  4. Doca de Santo Amaro: a Doca de Santo Amaro é a zona da marina e local de diversão noturna. A marina de Santo Amaro tem capacidade para 178 embarcações até 20 metros de comprimento, disponibiliza vários serviços, nomeadamente passadiços flutuantes, recolha de lixos e óleos. Os locais de diversão da Doca de Santo Amaro noturna incluem restaurantes, bares e discotecas.
  5. Convento dos Marianos: localizado na rua das Janelas Verdes, designado de Convento dos Carmelitas Descalços de Nossa Senhora dos Remédios. O Convento dos Marianos foi fundado em 1834 e vendido à Igreja Evangélica Lusitana quatro anos depois. O edifício desempenhou várias funções, nomeadamente de hospedaria da York House, ateliers de arquitetura e artes plásticas.
  6. Jardim Nove de Abril: localizado na rua das Janelas Verdes, também designado por Jardim da Rocha de Conde de Óbidos. O jardim foi inaugurado em 1879 e reabilitado durante a década de 50 do século XX pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles.
  7. Fábrica de Cerâmica Constância: localizada na rua das Janelas Verdes, também designada por Fábrica dos Marianos devido a encontra-se integrada no antigo Convento dos Marianos. A Fábrica de Cerâmica Constância ou Fábrica das Janelas Verdes foi inaugurada em 1836. Na Fábrica trabalharam inúmeros artistas, nomeadamente, o ceramista Wenceslau Cifka (1811-1884), Leopoldo Battistini (1865-1936) ou Raúl Lino (1879-1974).
  8. Convento das Trinas do Mocambo: localizado na rua das Trinas integra atualmente o Instituto Hidrográfico. O Convento das Trinas do Mocambo foi inaugurado em 1637 pelos flamengos Cornelius Wandali e Martha de Bóz como férias em Lisboa, um dos locais mais procurados pelos refugiados flamengos para procurar asilo em fuga dos protestantes. Com a morte do casal flamengo, o edifício foi doado à Igreja Católica Portuguesa e às freiras reformadas da Ordem da Santíssima Trindade. O Convento foi partilhado por duas ordens entre 1876 e 1910, nomeadamente Ordem da Santíssima Trindade e as Irmãs Hospitaleiras de São Patrícia. O edifício do convento desempenhou várias funções ao longo da história como Tribunal dos Conspiradores em 1912, hospital para doentes com tifo, atelier do escultor Júlio Vaz (1877-1963), a Escola Elementar de Comércio Ferreira Borges, Ministério da Guerra entre 1917 e 1922 e Instituto Hidrográfico a partir de 1969. Os principais destaques do Convento das Trinas do Mocambo são o Coro Baixo; o Salão Nobre; os Claustros; e a Biblioteca do Convento.
  9. Miradouro de Santo Amaro: localizado na Calçada de Santo Amaro, o miradouro destaca-se pela vista que proporciona sobre Lisboa. Os pontos de interesse são a Capela de Santo Amaro, inaugurada em 1549 com os azulejos do século XVII a representar Santo Amaro.
  10. Museu das Comunicações: localizado na rua do Instituto Industrial, apresenta a evolução histórica das comunicações ao longo do tempo, com destaque para a Exposição Vencer a Distância com apresentação de "Cinco Séculos de Comunicações em Portugal"; as Coleções postais; as Coleções de telecomunicações; e as Coleções artísticas e de filatelia.

Outras atrações a explorar em Santos-O-Velho

  • Multi-Espaço108: espaço integrado num antigo palácio do século XIX com ateliers na área do design e arquitetura.
  • Escola de Dança e Teatro Musical (EDSAE): disponibiliza serviços de danças sociais, nomeadamente "salsa" e "timba cubana", teatro musical ou cursos de cozinha para uma vida saudável.
  • Teatro A Barraca: localizado no Largo de Santos conta com mais de trinta anos de existência. O Teatro "A Barraca" foi fundado em 1976 com a peça "A Cidade Dourada". Atualmente é possível assistir a peças de teatro e sessões de poesia.
  • Galeria Vera Cortês: é uma das galerias onde o artista português Vhils expõe as suas obras.
  • Galeria Wozen: localizada na rua das Janelas Verdes, Wozen é a abreviatura de World Citizenship. A galeria de arte foi inaugurada em 2016 por portugueses e brasileiros.
  • PP Home Design: loja dedicada a mobiliário de design do século XX.
  • Pátio Moreira Rato: é um espaço com multiplas lojas de design e moda.
  • Loja Roche Bobois: é um espaço que disponibiliza mobiliário francês contemporâneo e um showroom.

Estabelecimentos de Ensino no bairro da Estrela

  • IADE: Creative University
  • ETIC (Escola de Tecnologia, Inovação e Criação)

História de Santos-O-Velho

A freguesia de Santos-o-Velho existiu entre 1556 e 2012, ano em que passou a integrar a Junta de Freguesia da Estrela. O bairro de Santos-o-Velho é assim designado devido à morte de três mártires cristãos, Máxima, Veríssimo e Júlia durante o reinado do Imperador Diocleciano em 305. Os três corpos apareceram, mais tarde, na praia de Santos. Como homenagem foi construído um templo que foi destruído durante a conquista Muçulmana. Dom Afonso Henriques mandou reconstruir a Igreja de Santos-o-Velho depois da Reconquista de Lisboa em 1147. O bairro de Santos-o-Velho foi, juntamente com o bairro da Madragoa, a zona de Lisboa onde habitaram os escravos, no antigo bairro do Mocambo, os pescadores e as varinas, mulheres que vendiam peixe nas ruas de Lisboa. As varinas existiram até meados dos anos 1980 e tornaram-se um dos símbolos lisboetas. Estas mulheres vieram para Lisboa com os maridos, pescadores e marinheiros, de algumas cidades do Norte de Portugal, nomeadamente Aveiro, Ílhavo e Ovar.

Curiosidades de Santos-O-Velho

  • Santos-o-Velho foi o bairro onde viviam os escravos nos séculos XV e XVI.
  • O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 praticamente não afetou o bairro de Santos-O-Velho.
  • O bairro de Santos-o-Velho está muito relacionado com Varina e com as Marchas Populares de Lisboa.
  • Em Santos encontram-se uma grande variedade de galerias de arte, estúdios, ateliers de arquitetura, bares e restaurantes.
  • No bairro de Santos-o-Velho encontram-se as melhores escolas de design de Lisboa, nomeadamente o IADE (Instituto de Artes Visuais Design e Empresa) e o ETIC (Escola de Tecnologia, Inovação e Criação)

Factos Rápidos sobre Santos-O-Velho

  • Santos-o-Velho integra a Freguesia da Estrela desde a reforma de 2012
  • A área física é de 0.53 km2
  • Santos-o-Velho tem aproximadamente 4100 habitantes de acordo com o Census de 2011
  • O bairro de Santos-o-Velho encontra-se a aproximadamente trinta minutos do Aeroporto de Lisboa

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